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Estamos chegando ao final de mais um ano, profícuo em desenvolvimento e trabalho. Tendo em vista o saudável surgimento de muitos novos Conselheiros, na última reunião do Conselho Deliberativo discutiu-se, a fundo, a função deste importante órgão. Ficou claro a todos, jovens e mais antigos, que muito o Conselho tem a oferecer. Além de críticas, elogios e informações, os conselheiros devem aproveitar as reuniões para dar sugestões à Diretoria do Clube. E isto ajuda o Executivo a refletir sobre o que o sócio almeja.

Gostaria de transmitir a todos, neste último artigo do ano, uma reflexão que resume minha fala ao término da reunião de novembro, que vale principalmente como um alerta de alguém que vive a Hebraica desde que nasceu.

Muito se discute e se reclama do valor da manutenção e dos serviços oferecidos na Hebraica. É fácil, simpático e até mesmo popular se reclamar de preços. Muitos pensam que a Hebraica é rica e que arrecada muito mais do que necessita. Além disso, quem é que está satisfeito com o que paga, seja lá o que for? Longe da direção do clube e de saber de suas necessidades, carências e custos, fica fácil e cômodo reclamar de que o clube está caro. Porém, a realidade que temos e que todos têm que compreender, queiram ou não, é diversa.

É inviável oferecer um clube deste nível, com estas características, com esta beleza, se não houver recursos para se fazer isso. A Hebraica não é uma instituição de benemerência. Não recebemos doações no mesmo nível que recebem outras instituições como o Einstein, a Unibes, o Ten Yad, o Lar das Crianças da CIP etc. Estas, que têm o apelo da benemerência ou do desenvolvimento científico, recebem altas doações da comunidade. A Hebraica, que deveria ser vista por muitos doadores como esencial para a vida judaica no Brasil e merecedora de doações, não é normalmente aquinhoada com esta deferência. A Hebraica vive principal e particularmente dos recursos de suas mensalidades, da venda de títulos, e é verdade de algumas importantes doações de muito poucos grandes judeus beneméritos que nela reconhecem a importância que tem para a comunidade judaica.

Estejam certos que a nossa comunidade, sem a Hebraica, não seria a mesma. Infelizmente não há como se cobrar menos do que se cobra. Se alguém se preocupar em analisar os números do clube, verá que ele arrecada menos com mensalidades do que se gasta. E o que se gasta é muito criterioso. O clube está sempre se renovando, sempre crescendo e sempre investindo no associado.

Minha mensagem àqueles que acham que o clube tem que ser mais barato, é que a qualidade e a manutenção vão piorar e perderemos muitos sócios por conta disto. Nossa comunidade não aceita serviços de baixa qualidade, o que é virtuoso, pois exige dos dirigentes que busquem o melhor. Mas isto tem, obviamente, um preço. Temos, ao longo dos anos, procurado aumentar a arrecadação para poder baratear os preços ou pelo menos para mantê-los apenas corrigidos com índices inflacionários. Mas como fazer isto se muitos que podem pagar o clube dele se afastam sob a crença e desculpa de que a Hebraica não precisa de sua participação? Muito se fala que há uma perda de sócios porque o clube está caro.

Repito, caso optemos pela linha do barato, a qualidade será prejudicada e então perderemos os sócios porque a Hebraica não mais será um clube de qualidade. É uma equação simples. Se não se arrecada o suficiente para ter o que é de melhor, a qualidade tem que cair. É falsa a crença de que a Hebraica é rica e pode cobrar aquém do valor real daquilo que oferece. É falso imaginar que a Hebraica pode subsidiar atividades. Ela não tem recursos para isso. Também subsídios não são sustentáveis e está provado que é sinal de má gestão.

Uma das soluções é que os sócios que podem pagar a Hebraica percebam sua importância no contexto comunitário e não cancelem seus títulos porque usam pouco o clube. Sendo sócios, eles estão contribuindo com os que podem menos e com a comunidade em geral. Sim, porque cada sócio que pode pagar e que deixa de ser sócio, faz com que a mensalidade dos que ficam e já pagam com dificuldade tenha que ser ainda mais cara. Disseram na última reunião do Conselho, e corretamente, que os maiores concorrentes do clube são as casas de praia, os condomínios de luxo, as casas de campo, as viagens ao exterior. Ora, quem não pode pagar o clube obviamente não tem essas atividades e possibilidades.

Muitos que estão deixando de ser sócios da Hebraica são justamente as pessoas que têm alternativas de lazer e alegam que a Hebraica não precisa deles. É um grande equívoco. A Hebraica precisa sim e mais do que a Hebraica, a comunidade precisa, pois ela necessita da Hebraica forte e pungente. Precisa até mesmo para ajudar aqueles que não podem e não têm casas de praia, de campo, possibilidades de viagens ao exterior. O único lazer de muitos é a Hebraica e aqueles que precisam dela a usam assiduamente. A saída de sócios que têm condições financeiras e que deixam o clube sob a alegação de que usam pouco é uma injustificada desculpa e uma incompreensão dos fatos.

Na realidade, estão criando sérias consequencias não só para o futuro da instituição, como para aqueles que, com sacrifício, continuam associados. Espero estar enganado, mas daqui a alguns anos, aqueles que sairam do clube poderão estar lamentando o que fizeram ao deixar de contribuir. E espero que não venham culpar os abnegados diretores de muitas gestões, o que normalmente é mais fácil e cômodo quando alguma instituição ou projeto começa a passar por dificuldades. As estatísticas provam que são muito poucos os que saem da Hebraica porque não podem mais pagar. Além disso, o Executivo faz todo o esforço possível para manter todos no clube, levando-se em consideração que não somos uma instituição de benemerência e que o clube vive de seus próprios recursos, salvo as doações de grandes beneméritos. Para cada um que não paga, tem alguém que precisa pagar.

Sugiro que aquelas pessoas de posse e que tanto reclamam dos custos do clube, para os que não podem, adotem uma família ou um indivíduo em dificuldade, ao invés de transferir para a instituição esta responsabilidade. Por que não fazerem com seus próprios recursos, aquilo que exigem que o clube faça, na verdade utilizando o dinheiro de todos? Isto porque, como disse, alguém tem que pagar, pois a Hebraica não pode suportar o ônus sozinha. A Hebraica faz sua ação social, mas infelizmente existe uma limitação para isto. Também temos que entender a diferença entre o que não pode individualmente daquele que tem a família carente.

Enquanto o primeiro pode e deve ter ajuda da família, seja pai ou filho, o segundo precisa da atenção da instituição, principalmente para abrigar seus jovens ou idosos. Sugiro que todos pensem muito nesta situação, por ser uma realidade da qual não podemos fugir à responsabilidade. É um momento que temos que viver com muita coragem, porque já vivenciamos a perda de outras instituições da comunidade, por se fazer caridade com o dinheiro das próprias instituições. Uma escola não pode dar bolsas ilimitadas, um hospital ou casa de idosos também não e assim por diante. Já vimos o que aconteceu com clubes, escolas, abrigos, etc. da comunidade, por terem aberto mão perigosamente de suas receitas. Enfim, é muito difícil construir e muito fácil destruir.

Termino com o pensamento positivo de que continuaremos a ser o maior clube judaico do mundo e que as diretorias, conselhos e sócios da Hebraica saberão os caminhos a serem seguidos, para continuarmos tendo nosso patrimônio preservado.

Feliz 2008

Arthur Rotenberg

Dezembro/2007


   
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